sexta-feira, 16 de abril de 2010

"A vida é um jogo"

Nos meus tempos de menina vivia sempre preocupada em fazer as coisas certas para não ter que ficar de castigo.
Na escola tinha que tirar boas notas para conseguir as coisas que queria. Chegava no final do mês já sabia de cor o que iriam perguntar, parecia um gravador – filha já recebeu o Boletim? Ai de mim se tivesse uma nota vermelha – passava o mês inteiro tendo que estudar aquela matéria até ficar na ponta da língua.
No meu quarto tinha sempre que manter a cama arrumada, as coisas no lugar e se deixasse uma roupa largada no meio do caminho já era motivo para uma ladainha que não tinha tamanho.
Quando saia com minhas amigas vibrava de alegria porque estava tudo bem – era a menina exemplar, boa aluna, filha maravilhosa, educada e assim iam tecendo os mais variados elogios.
Cresci seguindo esses princípios que por um lado me ajudaram, mas por outro me criaram inseguranças, barreiras tanto na época de Faculdade como também no início da minha vida profissional.
Lembro que no meu primeiro emprego tinha medo de errar e ser chamada atenção e até de ser mandada embora. Esse medo fez com que muitas vezes não conseguisse progredir e até de correr em busca de novas oportunidades.
Com o tempo fui abrindo os meus olhos, criando mais confiança nas minhas ações e vendo que a vida é um jogo e vence quem melhor der as cartas.
Quantas vezes me olhava no espelho e via aquela menina de uniforme sentada no chão do quarto, tímida, quieta e com o olhar fixo, imóvel que parecia estar passeando nas nuvens. Aquela imagem não era mais real porque nesse espelho eu me vejo agora uma mulher segura , vencedora e podendo dizer orgulhosa que “nunca deixe o medo de errar impedir que você jogue” as cartas da melhor maneira e procurando sempre acertar os passos na sua caminhada pela vida.

Pauta para Bloinquês - Edição Conto/História -
Tema “Nunca deixe o medo de errar impedir que você jogue
Rene Santos
  

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