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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

" AMANHÃ SERÁ OUTRO DIA"

É quase de manhã e ainda não dormi. Vou para janela na esperança de ver o meu amor chegar para ficar comigo. Gostaria tanto que tudo o que dissera ao telefone não fosse verdade.

Olho para o sol que com seu brilho me consola e alivia a minha tristeza. Desde que o conheci numa festa na praia posso dizer que o nosso amor foi à primeira vista. Foi lá em plena luz do Sol que, pela primeira vez, fizemos amor unindo nossos corpos sedentos de paixão.

Depois desse dia não conseguimos mais viver um sem o outro compartilhando nossas vidas. As tarefas diárias se tornavam agradáveis e tudo era motivo de felicidade porque sabia que depois do trabalho voltaria para casa e ele estaria lá me esperando.

Será que a minha profissão de engenheira sempre envolvida em reuniões com projetos e obras em relação a sua de fisioterapeuta, onde nossos horários eram diferentes, teria contribuído para a nossa separação? Questionei-me muito durante a noite toda para procurar entender o porquê dele me pedir um tempo através de uma ligação telefônica. Será que não gosta mais de mim?

Com o coração partido, a alma sofrida e despida de qualquer orgulho ainda implorei para conversarmos em casa com mais calma. Precisava saber se me amava ainda porque um sentimento como o nosso não podia ser tratado pelo telefone. Numa última tentativa declarando todo o meu amor disse:
- Você é minha vida e não consigo imaginar passar um dia sem seu olhar, sem seus beijos, sem sentir o seu corpo, mas tudo foi em vão e, antes de desligar, ele ainda me pergunta friamente:
- Por que você não liga novamente daqui a dois meses?

Ouvindo essa pergunta a minha respiração ficou ofegante, a voz embargada e com um grande esforço respondi que não sabia o que poderia acontecer até lá. Quase a ponto de perder o controle desejei que tivesse um bom tempo e desliguei.

Aqui estou ainda a falar comigo mesmo com a cara inchada de tanto chorar. Estou cansada e preciso dormir um pouco na certeza que quando acordar vou estar melhor.

Estou triste, nada me parece bonito, tudo se transformou em sombras ficando as lembranças dos momentos de alegria e de como éramos felizes.

Hoje não consigo sorrir de tanta dor que carrego dentro de mim.
Hoje estou frágil e desisto de ver o sol nascer... Preciso ficar no escuro e descansar os meus olhos.
Hoje me sinto sem forças, sem um pedaço da minha vida.
Amanhã será outro dia e muita coisa pode surgir num novo amanhecer.

RSantos

46a. Edição Musical
44a. Edição Conto História

imagens retiradas da NET

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

"Pai to deixando de ser um menino"


"Pai to deixando de ser menino."

Minha barba já está aparecendo
Meu corpo cheio de pelos já está ficando
Minha voz já está engrossando
Um homem já estou parecendo.

Quero ir as festas e poder paquerar
Quero de rostinho colado poder dançar
Quero as meninas poder namorar
Quero muitos beijos poder dar.


Quantas noites no meio do sono me vejo acordar
Assustado porque com elas vivo a sonhar
Como pode você de menino me chamar
Se como homem meu corpo começa a se mostrar.

Pai sei que você me entende
somente num pequeno olhar.
Pai sei que você me entende
e que não preciso muito falar.

Num dos meus sonhos  me contaram que
"- Tem muitos anjos disfarçados de pessoas na Terra
e eu descobri que meu pai era um deles."
Existe coisa mais feliz do que
ter um pai como seu anjo da guarda?

Rene Santos
29a. Edição Musical
27a Edição Conto/história

Projeto Bloinquês


Imagens retiradas da NET

sexta-feira, 9 de julho de 2010

"O PREÇO DA TRAIÇÃO"



 Aquele homem que era um eterno apaixonado jamais poderia suspeitar que a mulher que tanto amava o faria sofrer tamanha desilusão. O tempo não pára, passa rápido e não se pode deixar escapar das mãos o que lhe é mais precioso. Como poderia imaginar que fosse traído de forma tão cruel, tão asquerosa, tão fria, tão sem sentimentos.

Durante tantos anos ela não sabia viver de outra forma a não ser como mulher infiel. Traições atrás de traições, não importava quem fosse caia de olhos fechados sem pudor algum, pois tinha prazer de trair ao homem que tanto amava e não escondia aos seus amantes esse prazer doentio. Jamais imaginou que esses momentos iriam terminar e que pagaria um preço muito alto por suas atitudes.

Havia planejado uma festa de fantasias com pessoas todas mascaradas e das mais variadas formas de vida. Foi uma noite cheia de atos extremos de prazer e desejos. Levava essa vida no anonimato e nunca admitiria ser pega agindo de forma tão vulgar.

Chegando a sua casa ao amanhecer levou um susto em encontrar aquele que tanto a amava e a envolvia em carinhos e tanto lhe protegia sabendo de tudo que fazia sem se importar, nos braços de outra pessoa. Descobriu que seu marido era gay e isso foi como disparar uma flecha contra si mesma.

Envolta em tantos pensamentos começou a se fazer diversos questionamentos, perguntas e respostas.
- Tinha que me poupar e evitar que a família toda descobrisse essa farsa.
- Qual a atitude mais certa a tomar?
- Ficar no anonimato. Claro, eu consigo fazer isso com toda a certeza.

Ficaram as recordações de momentos inesquecíveis, momentos proibidos de se lembrar e momentos que esperava que fossem vividos novamente.

Esperava agora viver o que era correto, o que era novo, desconhecido e diferente. E era isso que ela estava tentando fazer, mesmo que seus pensamentos quisessem levá-la ao passado... É um passado que deve ser esquecido. Ela não se renderia.

Rene Santos

23a. Edição Conto/História

Versão 2.0
(Imagens retiradas da NET)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

' VIVA A VIDA"



A vida não é só futilidade, querida!
A vida é receber um sorriso gentil.
A vida é amar sem esperar ser amado.
A vida é o valor da amizade que nunca nos deixa sozinhos.
A vida é o nascer na mesma forma do ir.
A vida é reconhecer quem hoje é importante em sua vida.
A vida é esperar o melhor emprego, para começar a trabalhar.
A vida é fragil quando conhecemos a enfermidade.
A vida é esperar a pessoa perfeita para então se apaixonar.
A vida nos magoa para nos ensinar a pedir perdão.
A vida nos mostra a separação na busca da reconciliação.
A vida faz acreditarmos em nós mesmos sem esperar elogios.
A vida é para ser amada antes que chegue a morte.
Viva a Vida que Deus lhe Deu.
Viva a Vida a cada minuto, a cada segundo.
Viva a Vida no presente seguindo em frente.
Viva a Vida na sua maior intensidade.
Viva a Vida simplesmente.

Rene Santos

22a. Edição Conto/História
(Imagens retiradas da NET)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

"O AMOR NO MUNDO VIRTUAL"


Sou jornalista  e trabalho, como colunista, numa revista produzindo textos semanais para a seção de atualidades. Passo a semana numa correria e sempre estou ligada na telinha do computador, seja para digitar uma matéria, como para coletar mais informações, estar sempre com material de assuntos do momento , bem diferentes e de interesse do leitor.
Este ano resolvi dar prioridades em fazer alguns cursos para crescer profissionalmente . Durante a semana , no período da noite, estou fazendo  MBA em Marketing  e aos sábados concluindo o curso de inglês.
Como sempre estou ligada ao mundo virtual e faço várias amizades e foi onde descobriu um outro mundo onde não existe o toque, o cheiro , mas transborda em emoções que me fez sentir a vida num mundo real.
Foi numa dessas amizades que conheci o Igor por quem nutri um carinho especial e, por muito tempo, desfrutamos de um encanto, uma magia até que num belo dia nos conhecemos, nos apaixonamos. Sempre que tem um feriado ou uma folga,e principalmente nas nossas férias, procuramos estar juntos. Cada um tem a sua vida , seu trabalho, suas aspirações e, por maior que seja esse amor ainda não é possível que tomemos decisões precipitadas, então vivemos um amor à longa distância, um amor através da telinha.
Como não tenho muita folga para falar com Igor aproveito sempre o intervalo do curso para matar as saudades. Normalmente frequento um barzinho que fica em frente ao curso e tem umas mesinhas ao ar livre. Sempre acompanhada de meu computador, sento em uma das mesas, me conecto pelo celular, e tenho a felicidade por poucos minutos, de conversar com meu amor e fazer um lanche rápido.
O nosso amor é como o vento, não posso ver, mas posso sentir. E essa troca de palavras, de elogios, de confidências, de promessas, de planos para o futuro é uma necessidade real e é isso que nos enche de energia para que almejemos novas conquistas e um crescimento profissional, pois só assim poderemos ficar juntos para sempre.
A vida prepara várias armadilhas tendo sempre um ponto de interrogação na nossa frente e, saber as respostas , saber qual o melhor caminho , estar em saber conviver com nossas escolhas. Nós traçamos a nossa própria sorte e construimos o nosso destino.
Continuaremos firmes e fortes em mantermos vivo esses momentos, esse sentimento e superar todos os obstáculos, lutando para que os nossos sonhos se tornem realidade , e que esse amor , essa força real ultrapasse as linhas do mundo virtual.

Rene Santos
     20a. Edição -  Conto /História

(Imagens retiradas da Net)
Versão 3.0

sábado, 15 de maio de 2010

" A BAILARINA"

Mary era uma criança alegre, saudável até os quatro anos e depois começou a ter os primeiros sintomas da doença, a mãe não conseguia perceber a sua origem. “Tinha dores de cabeça e de barriga frequentes, e começaram a aparecer hematomas em todo o corpo, sem explicação”, conta a mãe, lamentando que teve que se deslocar a vários especialistas até que dessem o diagnóstico certo de que estava com leucemia.
Isso tudo gerou uma mudança radical na vida de todos que estavam ao redor de Mary. Sua mãe, Nina, juntou toda a sua força e se apoiou nos médicos que transmitiam esperança, ao afirmar que havia tratamento para a doença”.
Durante dois anos passou por intensos tratamentos além da Quimioterapia a qual ela reagiu muito bem. Depois ela apenas tinha de fazer visitas de controle de dois em dois meses.
Mary voltou a ter uma vida completamente normal e fez muitos amiguinhos no Condomínio onde morava, na escolinha , e andava sempre com um gorro ou um chapéu para não mostrar que estava sem cabelo. Já estava com sete anos e não via a hora de poder fazer um rabo de cavalo, ser igual a outras meninas e poder ter aulas de ballet – o seu sonho era ser uma grande bailarina.
Sabendo dessa sua vontade de aprender ballet foi quando sua mãe foi a uma Escola de dança onde sou professora e dou aulas para crianças com problemas diversos e ficamos amigas.
Mary se encantou com as aulas e eu mais ainda – ela era uma aluna exemplar e como era leve e dançava divinamente. Como ficava orgulhosa de seu desempenho. Mary sempre ia com uma toquinha cobrindo a cabeça e a roupinha de ballet da escola. Estava chegando ao final do ano e haveria um espetáculo de dança das alunas onde todos os pais estariam presentes. Os ensaios  começariam e eu tinha escolhido a Mary para fazer um papel solo e fiquei receosa de ela não querer se mostrar, pois estava sempre se escondendo.
Fui fazer uma visita a sua mãe comentei sobre o espetáculo e que gostaria muito da Mary no papel solo. Nina ficou toda contente e me levou ao seu quarto e logo que a porta se abriu ela correu e tapou o rostinho.
Fui chegando perto de Mary e “foi quando ela se escondeu, porque estava sem cabelo, e eu disse que não a amo somente físicamente e sim espiritualmente, pois não amamos um corpo e sim uma alma” e vim aqui para te trazer um presente e te fazer um convite.
Mary levantou os olhinhos na direção do pacote e ficou ali esperando que eu o entregasse. Assim que o pegou e abriu e viu que era uma roupa de bailarina completa com as sapatilhas pulou de felicidade. Correu para mim me beijou, me abraçou e fui logo contando sobre o espetáculo e que ela iria dançar com a nova roupa.
Chegou o dia do espetáculo e Mary , como sempre, havia se saído bem nos ensaios e no espetáculo foi maravilhosa apesar de ter notado um pouco de cansaço no final de sua apresentação, mas os aplausos e a alegria que sentia alteraram rápidamente o seu estado de espírito. Como amava dançar e agora já não ligava muito para os poucos cabelos e estava mais à vontade quando se encontrava em grupo.
A vida transcorria normalmente , mas numa das consultas de rotina, com a família recém-chegada das férias, os médicos sentiram necessidade de fazer vários exames e perceberam que a doença ainda estava presente no corpo da menina e que tinham que começar o tratamento todo novamente.
Para Mary essa recaída foi mais difícil de ela aceitar porque não apresentava sintomas e não via porque tivesse que fazer aquele tratamento novamente.
Agora com 12 anos, Mary vai precisar de um transplante de medula para ficar curada definitivamente. Vai precisar de um doador , mas todos os familiares já estavam fazendo os testes e já haviam diversos resultados positivos para Mary poder fazer o transplante – era tudo questão de paciência e tempo e logo, logo ela estaria feliz fazendo suas piruetas .
Mary frequentava a escola e como raramente podia comparecer às aulas as suas colegas traziam os apontamentos para que estudasse e não perdesse o ano. Muito comunicativa e querida por todos Mary fez muitas amizades com meninos que sofrem da mesma doença e continua adorando dançar e diz que quando crescer vai ser uma grande bailarina.

Rene Santos
15a. Edição Conto /História
A Edição já está fechada - Escrevi esta história e postei em prol do objetivo do tema
 " créditos dessa frase vai para um menininho que tem câncer, mas apesar disso não deixou de amar: Gabriel 9 anos para Giovanna 7 anos. (Instituto do Câncer)"


*Imagens retiradas do Flickr e da NET
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