sábado, 15 de maio de 2010

" A BAILARINA"

Mary era uma criança alegre, saudável até os quatro anos e depois começou a ter os primeiros sintomas da doença, a mãe não conseguia perceber a sua origem. “Tinha dores de cabeça e de barriga frequentes, e começaram a aparecer hematomas em todo o corpo, sem explicação”, conta a mãe, lamentando que teve que se deslocar a vários especialistas até que dessem o diagnóstico certo de que estava com leucemia.
Isso tudo gerou uma mudança radical na vida de todos que estavam ao redor de Mary. Sua mãe, Nina, juntou toda a sua força e se apoiou nos médicos que transmitiam esperança, ao afirmar que havia tratamento para a doença”.
Durante dois anos passou por intensos tratamentos além da Quimioterapia a qual ela reagiu muito bem. Depois ela apenas tinha de fazer visitas de controle de dois em dois meses.
Mary voltou a ter uma vida completamente normal e fez muitos amiguinhos no Condomínio onde morava, na escolinha , e andava sempre com um gorro ou um chapéu para não mostrar que estava sem cabelo. Já estava com sete anos e não via a hora de poder fazer um rabo de cavalo, ser igual a outras meninas e poder ter aulas de ballet – o seu sonho era ser uma grande bailarina.
Sabendo dessa sua vontade de aprender ballet foi quando sua mãe foi a uma Escola de dança onde sou professora e dou aulas para crianças com problemas diversos e ficamos amigas.
Mary se encantou com as aulas e eu mais ainda – ela era uma aluna exemplar e como era leve e dançava divinamente. Como ficava orgulhosa de seu desempenho. Mary sempre ia com uma toquinha cobrindo a cabeça e a roupinha de ballet da escola. Estava chegando ao final do ano e haveria um espetáculo de dança das alunas onde todos os pais estariam presentes. Os ensaios  começariam e eu tinha escolhido a Mary para fazer um papel solo e fiquei receosa de ela não querer se mostrar, pois estava sempre se escondendo.
Fui fazer uma visita a sua mãe comentei sobre o espetáculo e que gostaria muito da Mary no papel solo. Nina ficou toda contente e me levou ao seu quarto e logo que a porta se abriu ela correu e tapou o rostinho.
Fui chegando perto de Mary e “foi quando ela se escondeu, porque estava sem cabelo, e eu disse que não a amo somente físicamente e sim espiritualmente, pois não amamos um corpo e sim uma alma” e vim aqui para te trazer um presente e te fazer um convite.
Mary levantou os olhinhos na direção do pacote e ficou ali esperando que eu o entregasse. Assim que o pegou e abriu e viu que era uma roupa de bailarina completa com as sapatilhas pulou de felicidade. Correu para mim me beijou, me abraçou e fui logo contando sobre o espetáculo e que ela iria dançar com a nova roupa.
Chegou o dia do espetáculo e Mary , como sempre, havia se saído bem nos ensaios e no espetáculo foi maravilhosa apesar de ter notado um pouco de cansaço no final de sua apresentação, mas os aplausos e a alegria que sentia alteraram rápidamente o seu estado de espírito. Como amava dançar e agora já não ligava muito para os poucos cabelos e estava mais à vontade quando se encontrava em grupo.
A vida transcorria normalmente , mas numa das consultas de rotina, com a família recém-chegada das férias, os médicos sentiram necessidade de fazer vários exames e perceberam que a doença ainda estava presente no corpo da menina e que tinham que começar o tratamento todo novamente.
Para Mary essa recaída foi mais difícil de ela aceitar porque não apresentava sintomas e não via porque tivesse que fazer aquele tratamento novamente.
Agora com 12 anos, Mary vai precisar de um transplante de medula para ficar curada definitivamente. Vai precisar de um doador , mas todos os familiares já estavam fazendo os testes e já haviam diversos resultados positivos para Mary poder fazer o transplante – era tudo questão de paciência e tempo e logo, logo ela estaria feliz fazendo suas piruetas .
Mary frequentava a escola e como raramente podia comparecer às aulas as suas colegas traziam os apontamentos para que estudasse e não perdesse o ano. Muito comunicativa e querida por todos Mary fez muitas amizades com meninos que sofrem da mesma doença e continua adorando dançar e diz que quando crescer vai ser uma grande bailarina.

Rene Santos
15a. Edição Conto /História
A Edição já está fechada - Escrevi esta história e postei em prol do objetivo do tema
 " créditos dessa frase vai para um menininho que tem câncer, mas apesar disso não deixou de amar: Gabriel 9 anos para Giovanna 7 anos. (Instituto do Câncer)"


*Imagens retiradas do Flickr e da NET
"pesquisas do tema na NET

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