quinta-feira, 29 de julho de 2010

"O Calhambeque" ( texto adaptado)

Vocês sabem qual a sensação quando acabamos de tirar a habilitação e recebemos a nossa Carteira de Motorista? Uma sensação de liberdade misturada com felicidade. Foi assim que me senti e tudo ficou completo quando ganhei do meu companheiro o meu primeiro carrinho. Era uma Brasília um pouquinho gasta, mas era o meu “Calhambeque” que me levou a muitos lugares apesar de tantos quilômetros rodados. Não era uma Brasília amarela como a dos “Mamonas Assassina”, mas era uma princesa na cor marfim. Como passei momentos divertidos dirigindo o meu velho carrinho que dava para o gasto e me sentia até a “Senhora Buscapé” andando no seu Calhambeque antes de viver em Beverly Hills.

Diariamente seguia para o trabalho motorizada dirigindo com cautela e adquirindo mais segurança e confiança no decorrer do tempo.


Os dias transcorriam na mesma rotina até ter que comparecer a reunião de pais no colégio de meu filho. Sai um pouco mais cedo do trabalho e lá fui, num final de tarde, subindo a Serra que me levaria a Escola. Cantarolando a música que tocava no rádio ( não me perguntem qual era) subitamente me deparo com dois carros dando marcha ré em plena curva, levei um susto e fui automaticamente diminuindo a velocidade. Fui logo reclamando, chamando de loucos e etc...


Continuando a minha viagem entro na curva tranquilamente e, de repente, dou de cara com uma cena na minha frente que não sabia se tinha entrado num Drive in onde passava um filme de bandido ou se realmente era verdade o que estava vendo. Sim era verdade estava no meio de um assalto e resumindo a história em poucos segundos estava sendo rendida com um 45 no pé do ouvido.
"Sabe por que sobrevivi na noite em que me fizeram isso?"
Porque a minha reação foi zero, fiquei paralisada e só me lembro de ter olhado pelo retrovisor e avistado uma moça num Monza preto. Depois disso foi um desespero, pois chegou a polícia atirando para todos os lados que parecia estar no meio de uma guerra.Como tive sorte, pois os bandidos correram para se defenderem e eu fiquei agachada junto aos pedais do meu velho carrinho que me protegeu dos tiros e permitiu que eu estivesse aqui contando essa história.

Foram momentos terríveis e confesso que não parava de rezar e só conseguia pensar no meu filhinho que estava lá me esperando.


Rene Santos
Mandei meu Cadillac
Pr'o mecânico outro dia
Pois há muito tempo
Um conserto ele pedia
E como vou viver
Sem um carango prá correr
Meu Cadillac, bi-bi
Quero consertar meu Cadillac
Bi Bidhu! Bidhubidhu Bidubi!...


Com muita paciência
O rapaz me ofereceu
Um carro todo velho
Que por lá apareceu
Enquanto o Cadillac
Consertava eu usava
O Calhambeque, bi-bi
Quero buzinar o Calhambeque
Bi Bidhu! Bidhubidhu Bidubi!...
(O Calhambeque - Roberto Carlos)

Minha participação para a Postagem Coletiva

Adaptação com inclusão da frase para participação da 55a. Edição do projeto OUAT


(Imagen retiradas da NET)

2 comentários:

  1. Caramba, que susto, hein?
    Imagina, ficar no meio do fogo cruzado, sem ter nada a ver, fora o pavor de ter uma arma apontada para a cabeça...
    Incrível como um mesmo tema desperta diferentes histórias.

    Beijo!

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  2. Nossa... Nesses momentos só Deus por nós mesmo, né? Que situação!
    Mas, ah, ter uma relação de amor com os nossos pertences é tão bom! E como o Antônio disse: "Incrível como um mesmo tema desperta diferentes histórias."

    Obrigada pela sua visita! :D
    Beijos
    :*

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